AS DUAS FACES DA MOEDA...


OU OS DOIS LADOS DO SER

É uma questão filosófica ou pura demagogia, diante de tanta miséria e pobreza que há neste mundo, pensar na beleza estéril, ou mesmo no que seja a beleza verdadeira, quando na verdade todos/as somos dominados/as pelos estereótipos os mais vulgares de beleza sofisticada e artificial, superficial e fútil, destituída de alma e de espírito, beleza essa baseados apenas nos aspectos materiais e no corpo físico, um corpo desnaturado, plastificado e operado (transformado pelas plásticas e pela ginástica) do modelo ou da vedeta de cinema ou nas imagens construídas de uma arte também de plástico?
Porque só lêem e se interessam as mulheres por revistas de moda, de beleza e cosmética ou sobre artistas famosas/os e milionários com gente “sofisticada” e aparentemente bela?

Porque a realidade pura choca...a feiura arrepia, a miséria deprime e mete até medo...Por isso, procura-se uma fuga e conquistar essa falsa beleza a todo o custo querendo esquecer o que nesta realidade concreta nos agride…ou nos inferioriza.
Não se procura a beleza verdadeira a que está no interior de cada pessoa. Não, poucos têm essa coragem pois teriam de se olhar primeiro dentro de si mesmos e isso custa muito. Para o fazer teriam de ultrapassar os conceitos tradicionais do belo e os seus medos…teriam de olhar a evolução da natureza, aceitar as estações da vida, as mudanças da idade, o envelhecimento do corpo…e isso é doloroso na sociedade “moderna” e consumista, que vive de estereótipos apenas.
Sim talvez fosse tempo porque é urgente começar a olhar bem de frente as nossas imperfeições, a celulite, as rugas, a velhice, a pobreza e as nossas misérias frontalmente. E sem repulsa, sem negação, sem desvios procurar amar esse lado da realidade que queremos a todo o custo esconder atrás de uma beleza aparente ou da beleza cor-de-rosa, alienante da nossa própria realidade...

Não foi isso que fizeram e ensinaram os Grandes Mestres e os Santos...olhar a feiura, a doença e a velhice ou a pobreza com amor e para lá das aparências? Não viam eles a alma da pessoa, aquilo que está dentro de cada ser? Não apontaram todos para o interior do ser humano, para o amor incondicional? Mas claro, estamos muito longe dessas referências…Vivemos todos sobre a pressão dos Midia e alienados do nosso verdadeiro ser.

No mundo ocidental a publicidade e os Midia fomentam cada vez mais essa alienação através das mulheres a quem obrigatoriamente exigem uma imagem de juventude eterna e beleza física desejável - toda a mulher tem de ser jovem e atraente - embora hoje em dia também os homens começassem a depilar-se e a tratar-se e a fazer operações de estética...ou musculação e também intervenções girurgicas. Assim como se criou a necessidade obsessiva de decoração dos espaços, das casas ou dos jardins em detretimento da própria natureza. O grave contudo não é procurar a beleza nem a harmonia, só por si, como um ideal, mas esquecer que tudo tem o outro lado, inevitavelmente, o bonito e o feio, a noite e o dia, o prazer e a dor, o sol e a lua...e que muitos sofrem e são privados do essencial por causa do nosso excesso. E porque a vida na terra é feitas de coisas opostas, às vezes paradoxais...mas complementares e para mim não há nada mais antinatural do que criarmos um mundo de falsa beleza, como os nossos paraísos artificias, onde a sombra não entra...porque isso quer dizer que um dia, mais tarde ou mais cedo, seremos submersos pela nossa própria escuridão...
Aquilo que não queremos ver e iluminar com a nossa luz e amor um dia volta-se contra nós e destrói-nos...Isto é o que está a acontece no mundo com a Crise global do Sistema…
O materialismo exacerbado e a leviandade das pessoas trouxeram os efeitos da ganância e do egoísmo ao de cima… tudo o que o homem fez do ser humano por causa da sua ambição e abuso de poder...tudo aquilo que na nossa sede dessa falsa beleza, conforto e comodidade social, tudo o que se criou como consumo supérfluo e em excesso pelo medo de não ter, fez cair tantos outros na miséria, na dor e morrer à fome...
A mim custa-me e muito, dói-me na alma, saber que se mata por petróleo, por poder e ambição apenas. Que há gente que se julga humana - serão? -que não pensa senão no dinheiro e nos seus bancos e impérios à custa de milhões de seres humanos que morrem em campos de refugiados...enquanto esses fantoches negros e brancos e amarelos fazem as suas guerras instalados nos seus palácios e nos seus fauteilles, de peles de animais mortos, em faustosas decorações...
Isto não quer dizer que devamos negar a beleza das coisas nem perder a vontade do belo e fazer tudo ao contrário olhando só para o lado negativo da vida! Não, o que eu quero dizer é que temos de finalmente INTEGRAR os dois lados do nosso ser e de tudo o que existe ao cimo do planeta para atingir uma síntese da Consciência e viver o equilíbrio dos opostos complementares...para isso devemos olhar com clareza a dureza de certas situações que nós criamos no mundo…
Cabe-nos sem dúvida antes de tudo fazer a escolha do mundo que queremos a risco de enfrentarmos a iminente catástrofe do colapso económico planetário e não só...
rosaleonorpedro

Um comentário:

Suelzy Quinta disse...

Querida, deixastes ai, tudo o que tenho vontade de gritar, e à força fazer o mundo compreender! Só que nunca encontro as palavras certas como você encontrou! Parabéns!!! Tens a minha adimiração. Abraços